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05/01/2009 22:32
VIVER E AMAR A QUERÊNCIA
José Itajaú Oleques Teixeira
Mais uma tropa estradeira
Eu repontei, despacito.
O último boi, ao tranquito,
Enchiqueirei na mangueira.
E fui fechando a porteira,
Para prender a boiada;
A tropa velha, encerrada,
Foi, nesse seu contratempo,
Engolida pelo tempo
E na lembrança charqueada.
Agora, em outro pasto,
Há uma só rês invernada;
Com bom campo e boa aguada
Redundará pouco gasto.
Mas sei que vou sovar basto
Com novos bois de sobreano;
E outros de tino aragano,
Irão povoar meu potreiro.
Assim este tropeiro
Começou o Novo Ano.
E ao trote prossegue contente,
Nesta Tropeada da Vida;
Com Deus Velho por guarida
Vai seguir tocando em frente.
Pois pra um gaúcho valente
Não há carreira perdida;
Na Cancha-reta da Vida,
Com bom estado se vence.
O resto, que a nós pertence,
Virá até o fim da corrida.
E a cada lapso dos anos
Vamos fechando porteiras,
Matando tropas inteiras
E muitos sonhos vaqueanos.
Mas os valores campechanos,
Gaúchos por excelência,
Renovar-se-ão na vivência
Nos novos dias dos anos,
Fazendo ver aos paisanos
Que Viver é Amar a Querência!